Querido
Castro Alves, sendo hoje o dia Mundial do Livro não poderia deixar de reler um
dos seus maiores poemas intitulado: “ O Livro e a América” nesta obra inigualável o grande poeta pede ao povo
brasileiro que encha as mãos de livros porque só o saber poderá tornar
independente uma nação. Com grande pesar, caro mestre, venho lhe dizer que após
um século e meio da sua partida tão precoce neste mundo – vinte e quatro anos
apenas, o Brasil continua lendo muito pouco. As últimas pesquisas revelam que
setenta% dos brasileiros não leram um só livro no espaço de um ano. Porque razão
o Brasil lê tão pouco? Falta de incentivo? Analfabetismo? Livros caros?
Quando da
tua passagem na Terra, fostes um ferrenho lutador contra a escravidão que manchava
as páginas de nossa nação. Não queiras saber, poeta amigo... Hoje todos nós
somos escravos do sistema, da roubalheira, da falta de emprego, das filas nos
hospitais sem leito e sem medicamentos. As calçadas servem de moradia para os
muitos sem teto e sem expectativa de trabalho. A bandeira está manchada e
ultrajada pela falta de dignidade, justiça e honradez dos nossos líderes. Porque como tu bem dissestes em: O Navio
Negreiro, a nossa bandeira está sendo ultrajada ao “ cobrir tanta
infâmia e cobardia!...”
As
musas inspiradoras dos poetas não poderiam lavar com suas lágrimas o nosso
pavilhão sangrado. Melhor seria que:
“Antes
te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...”
Que servires a um povo de mortalha!...”
Como
disse a cima transcrevo aqui o conselho do jovem poeta, lutador e visionário, para
que os nossos jovens, futuro desta nação, despertem e comecem a devorar livros
e mais livros porque só assim o País poderá levantar do “Berço Esplêndido” e se
erguer como uma nação jovem, forte, valorosa, honrada, próspera e feliz.
"Filhos do século das luzes!
Filhos da Grande Nação!
Quando ante Deus vos mostrardes,
Tereis um livro na mão:
O livro — esse audaz guerreiro
Que conquista o mundo inteiro
Sem nunca ter Waterloo...
Éolo de pensamentos,
Que abrira a gruta dos ventos
Donde a Igualdade voou!
Por uma fatalidade,
Dessas que descem de além,
O século que viu Colombo,
Viu Gutenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou.
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto —
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n′alma
É gérmen — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.
Vós, que o templo das ideias
Largo — abris ás multidões,
P′ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse «rei dos ventos
— Ginete dos pensamentos,
— Arauto da grande luz!...
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou.
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto —
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n′alma
É gérmen — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.
Vós, que o templo das ideias
Largo — abris ás multidões,
P′ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse «rei dos ventos
— Ginete dos pensamentos,
— Arauto da grande luz!...
Bravo! a quem salva o futuro,
Fecundando a multidão!...
N′um poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goëthe moribundo
Brada «Luz!» o Novo Mundo
N′um brado de Briareu..,
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!..."
Fecundando a multidão!...
N′um poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goëthe moribundo
Brada «Luz!» o Novo Mundo
N′um brado de Briareu..,
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!..."
Descanse em paz, poeta, "gênio que o céu colheu." rogo a Deus que do teu túmulo não venhas jamais escutar os gemidos de protestos que ainda clama o teu povo.
Rio, 23 de abril de 2017.
Jailda Galvão Aires.

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