quinta-feira, 3 de outubro de 2013

AO MESTRE COM CARINHO

 Estou pensando, neste tenebroso pesadelo que estamos revivendo: a ditadura de 1964. Pasmem, nem naquela época a polícia - que sofre uma verdadeira lavagem cerebral de maldade e insensatez humana - partiria para bater, pisar, ferir, chutar e empurrar escada abaixo aqueles que, na nossa ausência, representam os pais dos nossos filhos. É o que estão fazendo com os professores que lutam por melhores salários e por um ensino público de melhor qualidade. Enquanto os pais enfrentam o mercado de trabalho buscando dar aos filhos uma vida digna, são as escolas que cuidam, educam os nossos futuros médicos, cientistas, engenheiros, advogados, políticos e todas as importantes e incontáveis profissões. Procurem no mundo da ciência e do saber uma profissão mais nobre, cansativa e sofrida que se equipare a do professor. A eles devemos tudo. Quantas vezes nos escabelamos e nos estressamos cuidando dos nossos próprios filhos que, hoje, raramente ultrapassam o número de três. Pense no mestre que acolhe 20 crianças numa sala de aula vinda das mais diferentes culturas e educação. A escola foi e sempre será a pedra fundamental para o avanço e o futuro da humanidade. Não existe um só profissional no campo da ciência e em todas as suas extensas ramificações, que não tenha conhecido a figura de um mestre.

Neste momento, os nossos dirigentes políticos, “ex-alunos”, fecham as portas e negam o diálogo com aqueles que um dia seguraram as suas pequeninas mãos e juntos rabiscaram as primeiras letras.

Esquecem ignoram e menosprezam as portas que se abrem diariamente para receber os seus próprios filhos e estão, com isso, ensinando a todas as crianças e jovens o desrespeito a figura do mestre.

Os Senhores, políticos eleitos, detentores do poder, sentam-se num pedestal e sentem-se a cima de Deus. Como descer a condição humana daqueles que vivem no anonimato e que honradamente e honestamente enfrentam as péssimas conduções e condições de trabalho em troca de um salário vergonhoso? 
Apertar as mãos e dialogar só em época de eleições escondendo o desinfetante no bolso.

Os senhores feudais, Faraós de barro, são os verdadeiros responsáveis pelo quebra-quebra, pelos prejuízos financeiros, morais e emocionais que vêm dilacerando o patrimônio fruto dos nossos suados impostos.

Seria tão diferente, tão fácil se deixassem cair a fétida máscara da pretensa vaidade e abrissem as portas públicas - patrimônio nosso- para uma conversa aberta e produtiva a toda classe trabalhadora que ergue e põe de pé o nosso PAÍS.  Estes, sim, merecem o troféu do nosso apoio, reconhecimento e eterna gratidão.
ESTAMOS COM VOCÊS.
          Jailda Galvão Aires.

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