sexta-feira, 19 de maio de 2017

VENDILHÕES DOS TEMPLOS - OS TRÊS PODERES

Sinto-me na pele de todos os patriotas honestos e trabalhadores que há século constroem este País, acordando ao raiar do sol, tomando ônibus, trens, carroças de boi ou a pés pelas estradas empoeiradas envelhecendo precocemente ao calor do sol escaldante...
Nós que deixamos nossos filhos em creches ou pagamos a algum vizinho para olhá-los; ou sem o menor recurso, somos forçados a deixa-los entregues às ruas - aprendizes de bandidos e traficantes...

Nós que com pás e enxadas trabalhamos sob o sol a pino muitas vezes sem vínculos empregatícios e sem nenhumas garantias, verdadeiros “boias -frias” comendo farinha, feijão, arroz e tripa de porco assada para camuflar a fome. 

Nós, médicos e enfermeiros que trabalhamos em hospitais e ambulatórios sem leitos, sem aparelhagens, sem oxigênio, sem produtos básicos de assepsias. Bactérias matando aqueles que foram em busca de cura. Pacientes  ao chão, urrando de dor sem o mais barato analgésico. Nós que nos formamos para salvar vidas e somos obrigados a escolher a quem salvar ou deixar morrer como carrascos em campos de concentração. 
Nós que construímos espigões, sem proteção alguma despencando dos tatames e enterrados como indigentes. 
Nos que morremos erguendo pontes e desaparecendo nas águas barrentas ou impetuosas de rios e mares como um pacote de estrume esquecido sem honra e sem glória.
Nós que construímos barragens e somos engolidos e soterrados por elas.

Nós que levamos alimentos à mesa farta dos que podem escolher morremos, com os pulmões apodrecidos pelos inseticidas.

Nós que vivemos da agricultura de subsistência vendo as plantações secarem enquanto choramos a morte do gado sem “palma” para matar a fome e sem água enlameada para matar a sede. Nós que vendemos o pedacinho de terra para os grandes latifundiários e seguimos para as capitais em paus de araras, sonhando com dias melhores. Terminamos moradores de ruas escarnecidos pelos transeuntes. 

Nós crianças e jovens, marginalizados pela família e pela sociedade, sem escolas preparatórias e sem vislumbre de um futuro promissor tornamo-nos iscas fáceis do tráfico de drogas. Terminamos nas Cracolândias – zumbis travestidos de gente a vagarem  num inferno em vida sem a menor chance de uma tênue luz..  
Nós pobres crianças filhos e filhas dos maus tratos e do abandono das Instituições Governamentais somos obrigadas a vender o corpo e a alma aos predadores sexuais em troca de um prato de comida muitas vezes forçados pelos próprios pais desempregados.
Nós,  jovens e crianças herdeiras do analfabetismos  vemos milhares de livros didáticos - novos em folha- descartados em lixões ou transformados em papéis higiênicos por míseros centavos.

Nós pequenos empresários, responsáveis por 52% dos empregos formais no país, não podendo  arcar com os encargos sociais e os altos impostos somos obrigados a fechar nosso comércio agravando assim o número de desempregados.
Nós aposentados e pensionistas que pagamos o teto máximo e recebemos míseros reais.
Agora pergunto aos que se tornaram - "Vendilhões dos Templos" dos Três Poderes: Como podem dormir o sono dos justos sem se darem conta que não passam de assassinos, torturadores, amputadores de sonhos e esperanças! 
Vós embaixadores do Supremo, que habilmente se esquivam dos julgamentos com desculpas que não colam e pelo avançado das horas. Se esquecem dos milhares de trabalhadores quem têm dupla jornada de trabalho para ganhar 1/100 dos vossos salários. 
Os senhores destruíram e continuam destruindo gerações inteiras. Matam nos hospitais quando desviam verbas. 
Usurpam quantias destinadas às escolas e vendem nossas crianças roubando-lhes a infância e a pureza levando-as a alistarem-se no batalhão do tráfico e usuários de drogas, alistando-se ao futuro do nada.
Os senhores que roubaram as verbas destinadas às moradias e obrigando-nos a ter como teto as marquises, o passeio como a cama e o papelão como cobertor. Jamais saberão  o que é não ter um travesseiro para repousar a cabeça.
Os senhores que roubam e dilaceram o patrimônio brasileiro corrompem e são corrompidos escondendo bilhões em bancos estrangeiros.
Os senhores que colocam vossos filhos a sofrerem xingamentos e bullying nas escolas e nas ruas. 
Vocês que em ganho próprio se valem da “Indústria da Seca” procrastinando a irrigação das terras matando de desnutrição homens, mulheres, crianças e animais aumentando a estatística do Êxodo Rural enchendo as ruas de pedintes.
Os senhores chacais imundos dilaceram e fazem sangrar a nossa bandeira colocando o nosso País no mais alto pódio da roubalheira e da descrença como Nação.
Os senhores que forçam os nossos jovens, diplomados e graduados a buscar emprego em outros países porque estão sem futuro no seu próprio País.
Os senhores que apertam gatilhos com os dedos dos outros acham que suas mãos estão intactas e sem manchas?
Tenham certeza, senhores vendilhões, que o povo não dorme que o sistema global de redes e comunicações tudo vê, tudo rastreia e tudo espalha. Não há mais nada que permaneça em oculto.
Os senhores se emaranharam no mar de lama, prenderam-se nas próprias cordas. Delatam e são delatados. Traem e são traídos. Corrompem e são corrompidos. 
E, ainda que, continuem vivendo sob o céu do nosso Brasil, o povo já os julgou e os desertou. 
Traíram a nossa confiança. Sangraram a nossa bandeira e já não são dignos do nosso amor, respeito e admiração. 
O cinismo estampado nas falsas promessas e a falta de honradez só nos dá pena, repúdio, nojo e total desprezo a estes seres que nomeiam a si mesmo de “Salvadores da Pátria.” Vós sois sim: -  Vendilhões do pátrio templo chamado Brasil.
             Rio, 19 de maio de 2017.
             Jailda Galvão Aires.




sexta-feira, 28 de abril de 2017

TRIBUTO A UMA MULHER COARACIENSE - Caderno Cultural de Coaraci, abril de 2017.


Uma Mulher ao lado de um Grande Homem!”

Homenagem do Caderno Cultural de Coaraci à Dona Zildinha Galvão 

“Ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher”. Dentre tantas mulheres que apoiaram seus companheiros, posso com grande orgulho, destacar neste texto, a minha querida e saudosa mãe carinhosamente chamada por todos de Dona Zildinha - esposa de seu Jayme Galvão da Loja A Girafa. 
Mamãe passou parte da sua infância ao lado de seus irmãos na Fazenda Pimenteira. Seu pai, abastado fazendeiro perdera quase tudo apoiando políticos, sendo depois abandonados por eles. (Nada de novo no mundo político). Minha avó falecera ainda muito jovem e meu avô não resistindo à dor cruel da saudade e pressentindo que a vida também lhe evaporava, tomou cada filho pela mão e foi deixando um a um na casa de um conhecido para serem criados. Seis irmãos – seis vidas separadas. Longos anos se passaram...Jayme e Zilda se conheceram e mais tarde se casaram. Começaram literalmente do zero. Residiram em Itabuna, Itapitanga, Cafundó estabelecendo-se depois em Itamotinga aonde com garra, suor e muito trabalho começaram a prosperar. Minha mãe à noite, quando os cinco filhos dormiam, fazia chupetas, pirulitos e bananadas para vender na loja aumentando a renda familiar, nossa casa fora pouco a pouco se transformando numa pequena empresa familiar. Ao entardecer à luz de candeeiros e depois de um Aladim, minha mãe pedalava a máquina Singer, costurando embornais; calções e vestidinhos, aproveitando qualquer retalho que sobrasse de tecido. A família, pai e filhos, destacavam as peças confeccionadas dando os arremates finais.

O casal recebia a todos com imensa alegria. Os saraus tomavam conta da noite enquanto a criançada brincava na rua à luz da gigante lua. Outra grande guerreira é a nossa querida tia Anadir, enfermeira diplomada em Salvador. Enquanto minha mãe trabalhava na loja ao lado de meu pai, ela administrava a casa. Se alguém do lugar se ferisse corria imediatamente a nossa casa e ali era acudido e medicado pelas duas irmãs. Com o nosso crescimento tivemos a necessidade de dar continuidade aos estudos, então nos mudamos para Coaraci aonde cursamos o “ginásio” e nos formamos. Em Coaraci as duas grandes guerreiras continuaram a incessante luta. Minha mãe trabalhando na Loja, ao lado do grande homem que também fora Jayme Galvão, tendo sempre um sorriso e uma palavra amiga para qualquer pessoa que necessitasse. Dona Zildinha, evangélica, não perdia a oportunidade de falar de amor para aquele que chegasse com a alma em frangalhos. 


Tia Anadir exerceu a profissão de enfermeira no Posto Médico acudindo aos enfermos com verdadeiro amor e abnegação. O povo sempre dizia: Doente que a irmã Anadir cuida não morre - sai mais fortalecido. Anadir não precisou estar ao lado de alguém para ser o que sempre foi - uma grande mulher! Duas irmãs. Dois exemplos de vida. 
Autora: Jailda Galvão (Filha).

Caderno Cultural de Coaraci, 6 anos com você - 52.700 exemplares distribuídos

Gratuitamente.

ABRIL -TRIBUTO À UMA MULHER COARACIENSE  2017


domingo, 23 de abril de 2017

CARTA A CASTRO ALVES NO DIA MUNDIAL DO LIVRO.



Querido Castro Alves, sendo hoje o dia Mundial do Livro não poderia deixar de reler um dos seus maiores poemas intitulado: “ O Livro e a América”  nesta obra inigualável o grande poeta pede ao povo brasileiro que encha as mãos de livros porque só o saber poderá tornar independente uma nação. Com grande pesar, caro mestre, venho lhe dizer que após um século e meio da sua partida tão precoce neste mundo – vinte e quatro anos apenas, o Brasil continua lendo muito pouco. As últimas pesquisas revelam que setenta% dos brasileiros não leram um só livro no espaço de um ano. Porque razão o Brasil lê tão pouco? Falta de incentivo? Analfabetismo? Livros caros?

Quando da tua passagem na Terra, fostes um ferrenho lutador contra a escravidão que manchava as páginas de nossa nação. Não queiras saber, poeta amigo... Hoje todos nós somos escravos do sistema, da roubalheira, da falta de emprego, das filas nos hospitais sem leito e sem medicamentos. As calçadas servem de moradia para os muitos sem teto e sem expectativa de trabalho. A bandeira está manchada e ultrajada pela falta de dignidade, justiça e honradez dos nossos líderes.  Porque como tu bem dissestes em: O Navio Negreiro, a nossa bandeira está sendo ultrajada ao “ cobrir tanta infâmia e cobardia!...”

As musas inspiradoras dos poetas não poderiam lavar com suas lágrimas o nosso pavilhão sangrado. Melhor seria que:

“Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...”

Como disse a cima transcrevo aqui o conselho do jovem poeta, lutador e visionário, para que os nossos jovens, futuro desta nação, despertem e comecem a devorar livros e mais livros porque só assim o País poderá levantar do “Berço Esplêndido” e se erguer como uma nação jovem, forte, valorosa, honrada, próspera e feliz.

"Filhos do século das luzes!
Filhos da Grande Nação!
Quando ante Deus vos mostrardes,
Tereis um livro na mão:
O livro — esse audaz guerreiro
Que conquista o mundo inteiro
Sem nunca ter Waterloo...
Éolo de pensamentos,
Que abrira a gruta dos ventos
Donde a Igualdade voou!


Por uma fatalidade,
Dessas que descem de além,
O século que viu Colombo,
Viu Gutenberg também.

Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou.
 

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto —
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n′alma
É gérmen — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.

 

Vós, que o templo das ideias
Largo — abris ás multidões,
P′ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse «rei dos ventos
— Ginete dos pensamentos,
— Arauto da grande luz!...

Bravo! a quem salva o futuro,
Fecundando a multidão!...
N′um poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goëthe moribundo
Brada «Luz!» o Novo Mundo
N′um brado de Briareu..,
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!..."

Descanse em paz, poeta, "gênio que o céu colheu."  rogo a Deus que do teu túmulo não venhas jamais escutar os gemidos de protestos que ainda clama o teu povo.
Rio, 23 de abril de 2017.
Jailda Galvão Aires.


quarta-feira, 22 de março de 2017

DIA MUNDIAL DA POESIA

 
Hoje, 21 de março - DIA MUNDIAL DA POESIA, destaco aqui, os versos de dois grandes poetas brasileiros.
Castro Alves, parece descrever o Brasil de hoje num pequeno trecho do poema intitulado Navios Negreiros composto há 136 anos atrás. Vemos que as mazelas multiplicaram e que a escravidão proliferou. Hoje somos todos escravos da fome, do medo, da corrupção, da injustiça, da falta de governo. Nosso dinheiro foi desviado das contas públicas para contas particulares. Pagamos altos impostos e morremos nas portas dos hospitais sem leitos e sem medicamentos. Nossas crianças sem escolas tornam-se reféns do tráfico que campeia a larga. A falta de honestidade e comprometimento dos nossos dirigentes levou o Brasil à banca rota. O vírus da corrupção e da desonra dizimou milhares de oportunidades e de crescimento. O desemprego cresce a cada dia e a desesperança escraviza a alma. Passageiros de um navio sem rumo e sem piloto, balançamos a deriva no negro mar da maior corrupção de todos os tempos.

A seguir Olavo Bilac no poema A Pátria, dirige-se inteiramente às crianças chamando a atenção para a beleza e a riqueza do nosso imenso Brasil. Esquece o homem vil e põe toda fé e esperança nos brasileirinhos únicos capazes de consertar o estrago feito por homens que teriam por dever e obrigação deixar para as gerações futuras um Brasil forte - exemplo para todas as nações.
Castro Alves -Navios Negreiros- parte.
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

A Pátria – Olavo Bilac (1865)
Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!”
“A Pátria - Olavo Bilac”
Por Jailda Galvão Aires em 21/03/2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

BODAS DE CASAMENTO




Hoje, nos dois completamos,
- Bodas de Prata Dourada !
Colhemos o que plantamos
- Uma vida abençoada.
                   Jailda Galvão Aires 15/02/2017